REP-C é o registrador eletrônico de ponto convencional: o equipamento físico, homologado, instalado no local de trabalho, que grava cada marcação e emite o comprovante para o colaborador. É a modalidade mais antiga das três previstas hoje — e continua perfeitamente válida.
A pergunta certa, portanto, não é se ele pode ser usado. É o que ele consegue provar quando a empresa precisa se defender.
Como funciona o REP-C
- O equipamento fica fixo no local de trabalho, normalmente na entrada.
- A identificação é feita por crachá, senha, cartão de proximidade ou biometria, conforme o modelo.
- Cada marcação é gravada na memória do equipamento e gera comprovante para o trabalhador.
- Os dados são extraídos periodicamente para apuração da jornada e fechamento da folha.
Muita empresa mistura o REP-C com controle manual: o relógio grava, mas os ajustes de esquecimento e as horas de campo voltam para uma planilha. É aí que a trilha se rompe — o mesmo problema descrito em [os riscos do ponto de papel](/blog/ponto-de-papel-ainda-e-legal).
Os riscos específicos do REP-C
Sem prova de quem marcou
Crachá e senha circulam. Quando o modelo não tem biometria, a marcação por colega é uma alegação fácil de fazer e difícil de afastar — tanto para mascarar atraso quanto para sustentar hora extra que não aconteceu.
Sem prova de onde a jornada aconteceu
O terminal registra que alguém passou por ele. Não diz nada sobre a obra, o cliente ou a rota. Para empresa com equipe externa, é a lacuna que mais custa caro em reclamação de horas extras e deslocamento.
Dependência física
Bobina acabando, equipamento em manutenção, fila no início do turno, filial nova esperando instalação. Cada interrupção vira registro manual, e registro manual é exatamente o que a defesa não quer mostrar em audiência.
Por que o REP-C vem perdendo espaço
Não por proibição: por economia e por prova. A Portaria MTE 671/2021 reconheceu o registro por programa, e com isso a empresa pequena passou a poder registrar jornada com reconhecimento facial e localização, sem comprar hardware, sem contrato de manutenção e sem depender de assistência técnica para cada nova unidade.
Os requisitos de conformidade continuam os mesmos nas duas modalidades: arquivos de fiscalização, comprovante de marcação e trilha de auditoria. O que muda é o custo e o que dá para provar depois.
Do REP-C para o REP-P
A migração costuma ser feita em paralelo: o relógio continua ligado enquanto o time se acostuma com o app, e depois o equipamento sai de cena. Comece por [o que é REP-P](/blog/o-que-e-rep-p) e veja o comparativo completo em [REP-C, REP-P ou REP-A](/guias/rep-c-vs-rep-p-vs-rep-a).
Leia também
- [O que é REP-A e quando ele exige acordo coletivo](/blog/o-que-e-rep-a-ponto-eletronico)
- [Sua empresa é obrigada a ter ponto eletrônico?](/guias/empresas-obrigadas-portaria-671)
- [Penalidades por não cumprir a Portaria 671](/guias/penalidades-portaria-671-ponto-eletronico)
- [Perguntas frequentes sobre a Portaria 671](/guias/perguntas-frequentes-portaria-671)
- [Guia completo da Portaria 671](/guias/legislacao-e-portaria-671)
- Portaria MTE 671/2021 (texto compilado, gov.br)Define o REP-C e os requisitos do registro eletrônico de ponto.
- Perguntas e respostas sobre REP — Inspeção do Trabalho (gov.br)Como a fiscalização trata equipamentos e arquivos.
- CLT, art. 74 (Planalto)Obrigação de registro da jornada de trabalho.
Perguntas frequentes
O REP-C ainda é permitido?
Sim. O registrador convencional continua sendo uma das modalidades previstas na Portaria MTE 671/2021. O que mudou é que ele deixou de ser o único caminho: o registro por programa (REP-P) tem o mesmo valor legal.
Qual a diferença entre REP-C e cartão de ponto de papel?
O cartão de papel é registro manual; o REP-C é equipamento eletrônico homologado que grava a marcação e emite comprovante. Os dois compartilham a mesma fragilidade: não comprovam quem realmente registrou nem onde a pessoa estava.
Preciso trocar meu relógio de ponto?
Não por obrigação legal. A troca costuma ser decidida por custo de manutenção, por equipe que trabalha fora do escritório ou pela necessidade de provar identidade e local de cada marcação.






