Intervalo intrajornada é o nome técnico do horário de almoço. Parece o tema mais banal da gestão de jornada e, ainda assim, é um dos que mais aparecem em reclamações trabalhistas — porque ninguém decide suprimi-lo. Ele some sozinho: o cliente chegou, a máquina parou, o colega faltou.
A regra, em três linhas
- Jornada acima de 6 horas: intervalo de no mínimo 1 hora e no máximo 2 horas.
- Jornada entre 4 e 6 horas: intervalo de 15 minutos.
- Jornada de até 4 horas: não há intervalo obrigatório.
O teto de 2 horas também importa. Jornadas com intervalo muito longo — comum no comércio de rua e em restaurantes — precisam de previsão em acordo ou convenção coletiva para ampliar esse limite.
O que acontece quando o intervalo encolhe
Antes da reforma trabalhista, cortar 15 minutos do almoço fazia a empresa dever a hora inteira, com reflexos. Hoje, o art. 71, §4º prevê o pagamento apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% e natureza indenizatória.
Isso reduziu o valor unitário, mas não o problema, por um motivo aritmético simples: o intervalo encurtado costuma se repetir todos os dias, para várias pessoas, durante todo o contrato.
| Recorte | Tempo suprimido | Observação |
|---|---|---|
| 1 dia | 20 minutos | Passa despercebido. |
| 1 mês (22 dias úteis) | 7h20 | Quase um dia de trabalho. |
| 1 ano | 88 horas | Pago com acréscimo de 50%. |
| 5 colaboradores por 2 anos | 880 horas | Aí a conversa muda de tamanho. |
O cálculo acima é apenas uma ilustração de acúmulo; o valor real depende do salário-hora de cada pessoa e dos termos da convenção coletiva.
Onde o intervalo costuma sumir
- 1Equipe pequena de atendimento: quem sai para almoçar volta antes porque a fila cresceu.
- 2Obra e indústria: o intervalo começa quando a atividade permite, não no horário previsto.
- 3Home office: a pessoa “almoça trabalhando” e ninguém registra nada.
- 4Ponto pré-anotado: a planilha mostra 12h às 13h todos os dias, o que na prática é prova de que ninguém registrou de verdade.
Esse último ponto merece atenção. Marcação de intervalo idêntica em todos os dias — o famoso ponto britânico — enfraquece o registro inteiro, porque sugere anotação automática em vez de registro real.
Como manter o intervalo sob controle
- Registre as quatro marcações do dia: entrada, saída para o intervalo, retorno e saída final.
- Configure alerta para intervalo abaixo do mínimo, para corrigir no mesmo dia em vez de descobrir no fechamento.
- Trate a exceção como exceção: quando alguém precisou reduzir, registre o motivo e pague o período suprimido.
- Confira a convenção coletiva da categoria antes de adotar intervalo reduzido de 30 minutos.
Se o seu problema é a escala apertada entre um dia e outro, o artigo vizinho é [intervalo interjornada](/blog/intervalo-interjornada-descanso-entre-jornadas).
- CLT — Decreto-Lei 5.452/1943 (texto atualizado)Capítulo da duração do trabalho: arts. 57 a 75.
Perguntas frequentes
Quanto tempo de intervalo a CLT exige?
Em jornadas acima de 6 horas, no mínimo 1 hora e no máximo 2 horas. Em jornadas entre 4 e 6 horas, 15 minutos. Em jornadas de até 4 horas não há intervalo obrigatório. A regra está no art. 71 da CLT.
O intervalo pode ser reduzido para 30 minutos?
A redução do intervalo mínimo é admitida quando prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho, respeitado o limite de 30 minutos para jornadas superiores a 6 horas. Sem previsão coletiva, o acordo individual não sustenta a redução.
O que a empresa paga quando o intervalo é cortado?
O art. 71, §4º determina o pagamento do período suprimido com acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal, com natureza indenizatória. Ou seja: paga-se apenas o tempo efetivamente suprimido, e não a hora inteira como acontecia antes da reforma trabalhista.
O intervalo entra na jornada de trabalho?
Não. O tempo de intervalo para repouso e alimentação não é computado na duração do trabalho. É exatamente por isso que ele precisa aparecer no registro de ponto: sem as marcações de saída e retorno, não há como demonstrar que ele foi concedido.






